Desde a legalização das casas de apostas online (popularmente chamadas de bets) no Brasil em 2018, o varejo alimentar ganhou um concorrente indireto na disputa pela atenção e pelo orçamento do consumidor.
Segundo um levantamento da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as bets retiraram R$ 143,8 bilhões do faturamento do varejo e do comércio nos últimos dois anos.
Porém, essa não é a única implicação das apostas para o setor. Por isso, a Escola Encantech, a plataforma de conhecimento para o encantamento do varejo brasileiro da Rock Encantech, reuniu uma série de insights sobre o tema para ajudar os varejistas a entenderem as implicações práticas desse novo competidor.
Impactos financeiros das bets
As apostas deixaram de ser um entretenimento ocasional e passaram a ser um gasto recorrente em muitos núcleos familiares.
O PwC Strategy revelou que as bets representam 38% de todo o gasto com Lazer e Cultura nas classes D/E. O gasto médio dos apostadores varia de R$ 164 a R$ 263, sendo que a cada R$ 3 apostados no Brasil, R$ 1 é permanentemente perdido.
Segundo um relatório divulgado pelo Banco Central, em 27 de abril de 2026, o índice de endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior patamar da série histórica, com 49,9%. O documento aponta o aumento das apostas online como um dos principais fatores para esse crescimento.
Com parte do orçamento comprometido com as bets, a Rock Encantech identificou uma tendência de queda no ticket médio no varejo alimentar. Neste cenário, o maior concorrente não é a rede rival, mas sim a tela do celular, já que o consumidor chega à gôndola com a renda comprometida.
O perfil do apostador no Brasil
O Banco Central do Brasil realizou um levantamento do perfil dos apostadores brasileiros. Foram identificadas 24 milhões de pessoas, sendo:
- 56% com menos de 40 anos;
- 62% são homens;
- 80% pertencem às classes C, D e E;
- 70% dos apostadores são os próprios chefes de família.
Segundo o CNC, 1,8 milhão de brasileiros entraram em inadimplência diretamente por conta das bets, sendo que 47% do número total de apostadores já estão endividados. Entre famílias com renda de 3 a 5 salários, o atraso de contas saltou de 26% para 29% no último ano.
Impacto na saúde pública
Além de um problema financeiro, o vício em apostas (também conhecido como ludopatia) é uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo uma análise do Instituto de Estudo para Políticas de Saúde (IEPS), o custo total dos danos associados ao jogo é estimado em pelo menos R$ 38,8 bilhões anuais.
O dossiê ainda aponta que os custos relacionados à depressão chegam a R$ 13,4 bilhões, sendo R$ 10,4 bilhões pela perda de qualidade de vida e R$ 3 bilhões em tratamentos médicos.
“As bets e os jogos não só tiram dinheiro da população, mas também geram problemas de saúde pública. Hoje, há muitos colaboradores afastados por problemas de ansiedade impulsionados por esses jogos”, afirmou o Cofundador da Rock Encantech, Fernando Gibotti, durante podcast.
Além disso, a procura por atendimento em saúde mental relacionado ao vício de apostas online no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu em 140% nos últimos cinco anos, segundo o Ministério da Saúde.
Como o varejo pode lidar com esse cenário?
O varejo alimentar não pode derrotar as bets com argumentos morais ou aguardando novas regulamentações. É preciso competir utilizando a ciência do consumo e dados com contexto para reduzir fricção, gerar valor percebido e fortalecer recorrência.
Se as apostas usam gatilhos comportamentais para extrair valor, o varejo precisa utilizar estímulos transparentes para fortalecer o valor percebido na jornada de consumo. Uma das soluções para isso é a fidelidade de resposta rápida.
Quando o varejo oferece cashback de forma imediata, o cliente se sente preparado para aplicar o benefício na próxima missão de compra. Além disso, a rede troca o foco do relacionamento passivo para recompensa emocional ativa, onde o cliente tem a percepção de benefício.
SuperApp como hub financeiro
O SuperApp deve se comportar como um parceiro financeiro, devolvendo a sensação de controle para o cliente.
Um exemplo de ação prática é dar visibilidade de quanto dinheiro foi poupado ao aproveitar as ofertas disponíveis na plataforma, ao invés de mostrar apenas os gastos.
Notificações com alertas baseados no histórico de compras também ajudam a criar estímulos para engajamento e aumento de tempo no Super App.
Gamificação com propósito saudável
O varejo alimentar tem a possibilidade de aplicar os mesmos gatilhos psicológicos que as bets sem o risco de o cliente ter perda financeira por meio da gamificação.
A estratégia tem como propósito transformar as atividades diárias em tarefas mais divertidas e motivadoras por meio de jogos. Seu principal propósito é estimular um maior engajamento.
A gamificação tem a possibilidade de trazer bons retornos, porque instiga a necessidade de competição. Entre as ações práticas que as redes podem implantar estão as raspadinhas digitais, roletas de prêmios e sorteios (com notificações de push para estimular o acesso ao app).
Soluções da Rock Encantech
A Rock Encantech conta com um ecossistema de soluções que conecta dados, tecnologia e relacionamento para transformar o conhecimento do cliente em valor real para negócios e consumidores.
As soluções incluem: CRM; plataforma de fidelidade e marketplace; soluções de cashback; inteligência de mercado e geográfica; algoritmos de personalização de ofertas; automação promocional; aplicativos white label e aplicações em retail media.
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