O impacto das mudanças do IRPF no consumo de alimentos no varejo 

Supermercados

A ampliação da isenção no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), que entrou em vigor em 2026, pode representar uma injeção de R$ 3,1 bilhões a mais no mercado nacional de alimentação em domicílio até o fim do ano, segundo estudo da Rock Encantech.

A nova regra prevê isenção para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, com redução gradual da carga tributária até R$ 7.350, medida que tende a ampliar a renda disponível das famílias para consumo de alimentos. 

Entenda no texto a seguir como essa mudança impacta o varejo alimentar e as principais implicações do levantamento da Rock Encantech. 

Metodologia do levantamento da Rock Encantech 

De acordo com estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aproximadamente R$ 16,98 bilhões poderão ser direcionados especialmente para o consumo de bens e serviços essenciais em 2026, em função dessa ampliação da isenção do IRPF.

A partir dessa estimativa, a Rock Encantech realizou a identificação da distribuição do impacto por estado, com base na renúncia fiscal prevista e a propensão ao consumo das famílias beneficiadas. 

Essa metodologia de projeção teve como base a massa salarial relativa de cada Unidade da Federação, o grau de formalização do emprego e a concentração de rendimentos mensais de até R$ 7.350. 

Para essa etapa, foram utilizados dados da PNAD Contínua (IBGE) e da RAIS (Ministério do Trabalho), permitindo representar de forma consistente o potencial adicional de consumo em nível regional.

Despesas com alimentação 

Na sequência, a alocação da renda adicional entre os diferentes tipos de despesa foi estimada a partir dos padrões de consumo observados na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE) para famílias de baixa e média renda. 

Essa abordagem permite dimensionar quanto do impacto potencial tende a ser absorvido por cada segmento do varejo e dos serviços, com destaque para os gastos essenciais.

Aproximadamente 18% do montante adicional estimado de R$ 16,98 bilhões tende a se concentrar no consumo de alimentos no domicílio. 

“Esse comportamento reflete o caráter essencial dessas despesas e indica que o impacto deve se manifestar principalmente por meio de aumento de volume e maior regularidade de compra. Embora os estados com maior massa salarial concentrem os maiores valores absolutos, o efeito se mantém relevante também nas economias com menor renda média, reforçando o caráter capilar desse estímulo ao consumo”, afirma o Cofundador da Rock Encantech, Fernando Gibotti. 

Impacto da isenção do IRPF por regiões 

No recorte específico de alimentação no domicílio, observam-se diferenças regionais relevantes. Norte e Nordeste se destacam pela maior relevância relativa desse grupo de despesas, reflexo de uma estrutura orçamentária mais concentrada em itens essenciais. 

Nessas regiões, os ganhos de renda líquida tendem a ser rapidamente direcionados ao abastecimento do lar, com impacto direto sobre volume e frequência de compra.

No Sudeste, apesar de concentrar o maior valor absoluto de consumo adicional, a alimentação no domicílio apresenta baixo peso relativo no orçamento, uma vez que o incremento de renda é distribuído entre diferentes categorias. Nesse contexto, o efeito tende a estar mais associado à qualificação do mix de consumo (produtos premium) do que à expansão de volume.

O Sul apresenta um comportamento intermediário, combinando relevância orçamentária da alimentação com maior estabilidade de renda, o que resulta em um impacto mais consistente e previsível para o varejo alimentar.

Já o Centro-Oeste revela forte heterogeneidade interna, com o Distrito Federal se aproximando do padrão observado no Sudeste, enquanto os demais estados mantêm maior importância relativa da alimentação no domicílio, indicando a necessidade de análises mais desagregadas dentro da região.

Oportunidades para o varejo alimentar 

De acordo com Gibotti, mesmo diante de um cenário de incertezas macroeconômicas, independentemente da região, o varejista precisa estar preparado para capturar o potencial adicional de consumo decorrente das mudanças do IRPF. 

“Nesse contexto, a excelência operacional, que envolve desde a qualidade da prestação de serviço até o uso estratégico de ferramentas tecnológicas, aliada a estratégias de benefícios direcionadas ao shopper, será determinante na escolha da loja na jornada de compra e, consequentemente, na manutenção da saúde do negócio em um cenário cada vez mais competitivo e saturado”, completa Gibotti.

A Rock Encantech conta com soluções para que o varejista consiga aproveitar o novo potencial de consumo. Os dados fornecidos pelo CRM, por exemplo, ajudam o varejo a entender o comportamento de consumo dos clientes e, consequentemente, planejar estratégias para aumentar o ticket médio. 

Com mais de 130 milhões de consumidores analisados, identificando mais de R$ 310 bilhões de volume bruto de mercadorias (GMV) e presença em todos os estados do Brasil, a Rock Encantech impulsiona um varejo mais humano, inteligente e conectado.

As soluções incluem: CRM, plataforma completa de fidelidade e marketplace, inteligência de mercado e geográfica e aplicações em retail media.