Retail Tour Europa: as principais lições do varejo europeu para o Brasil

Retail Tour Europa

Realizada a cada três anos, a EuroShop se consolidou como um dos principais eventos do varejo mundial. O evento completou 60 anos e apresentou diversas tecnologias e tendências para o setor em Düsseldorf, na Alemanha, servindo como um termômetro do mercado para os próximos ciclos.

O VP de Inteligência e Mercado da Rock Encantech, Fernando Gibotti, e o VP de Sucesso do Cliente, Marcelo Vienna, marcaram presença na feira, além de participarem de visitas técnicas no varejo europeu.

Durante um webinar (disponível no YouTube), eles compartilharam os principais insights da Retail Tour Europa e apresentaram algumas das principais lições do Velho Continente para o Brasil. Confira, no texto a seguir, alguns dos principais destaques do bate-papo.

O cenário no varejo europeu

O Brasil tem passado por transformações demográficas importantes, com a diminuição no número de filhos por família e o envelhecimento da população. De acordo com Gibotti, o varejo europeu já enfrentou esse cenário e conseguiu prosperar, deixando lições importantes para varejistas do mundo todo.

“A gente vem observando há bastante tempo a transformação demográfica no Brasil, mas isso não é um fenômeno isolado do nosso país. Isso já ocorreu, principalmente, em países europeus, e o varejo de lá não só sobreviveu, como prosperou. Porém, obviamente, em grandes transformações, você também precisa observar novos caminhos. Acho que o grande aprendizado que trouxemos da Europa, assim como da China, é para onde nós iremos com toda essa transformação demográfica”, afirmou.

Vienna completou, afirmando que a Europa está vivendo um momento de pressão inflacionária, energia mais cara e instabilidade geopolítica por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Todos esses elementos fazem com que o consumidor europeu busque cada vez mais o melhor valor, favorecendo a consolidação do modelo de hard discount no varejo.

“Há também cada vez mais escassez de mão de obra e pessoas de mais idade vivendo sozinhas. O impacto disso é cada vez mais equipamentos autônomos e cada vez mais soluções de alimentação no local. Além de a loja estar preparada para o autosserviço, as opções de alimentação no local explodiram”, afirmou.

Marcas próprias e relacionamento com o cliente

Durante o bate-papo, Gibotti citou que os programas de relacionamento estão cada vez mais personalizados no varejo europeu e mencionou um exemplo que acompanhou de perto na Itália.

No exemplo, Gibotti contou que uma loja fornecia 10% de desconto de forma permanente para quem tivesse filhos, até que a criança completasse 10 anos de idade. Ou seja, o consumidor tem direito ao benefício por um longo período.

“Há ainda um destaque fenomenal para comidas premium para pets, justamente em meio à diminuição de filhos. Muitas das coisas que enxergamos no Brasil começamos a ver de forma intensa na Europa. Essa combinação de envelhecimento populacional e menos demanda tem, como uma das saídas, a diminuição de custos e a valorização do produto”, comentou.

Uma das formas de promover a valorização dos produtos é por meio de marcas próprias, um fator de diferenciação competitiva no varejo alimentar.

“Eles estão desenvolvendo e valorizando cada vez mais o produto local. As marcas próprias são um dos maiores elementos de fidelização e valorizam o produtor local. É um diferencial, pois aquele tipo de produto você só vai encontrar naquela região. Os países europeus foram construídos em cima de pequenas e médias empresas, de forma geral, então existe um ecossistema para mantê-las funcionando”, comentou Marcelo Vienna.

As diferenças entre a NRF e a EuroShop

Retail Tour Europa
Fernando Gibotti (VP de Inteligência e Mercado) e Marcelo Vienna (VP de Sucesso do Cliente)

Com mais de 2 mil expositores e 100 mil visitantes, a EuroShop se destaca ao lado da NRF como um dos principais eventos varejistas do mundo. Para Vienna, a principal diferença entre eles está na proposta.

“Na NRF, a tecnologia é a protagonista e você tem os grandes players presentes, mas, quando vai para a EuroShop, a loja é a protagonista. Então, tem o foco no que a tecnologia pode resolver no mundo físico”, comentou.

Gibotti destacou que a EuroShop conta com uma abordagem focada na prática, com foco na experiência do cliente final.

“Tem estandes que, no primeiro momento, você não consegue entender o que vendem, pois eles se preocupam muito em mostrar o que o cliente final vai receber. Eles mostram um protótipo real do que você pode implementar na sua loja, e você pode vivenciar isso lá”, afirmou.

Utilização da IA

Destaque durante a NRF 2026, a inteligência artificial também esteve presente durante a EuroShop, com demonstrações práticas. Segundo Vienna, muitas das soluções apresentadas contavam com a tecnologia, como a gôndola inteligente e o uso de sensores por toda a loja.

Para Gibotti, a utilização dos sensores transforma a loja em uma grande coletora de dados sobre o comportamento de consumo dos clientes.

“Há três anos, tínhamos o CRM, apps e meios de pagamento como fontes de conhecimento do comportamento de consumo. Agora, a gente passa a ter um grande conjunto de dados observacionais sobre o comportamento do cliente na loja. Quando você aplica métodos científicos, a capacidade de compreender como o cliente está comprando permite que o varejo influencie sua decisão”, explicou Gibotti.

Confira mais detalhes sobre a NRF no e-book especial preparado pela Rock Encantech. Você também pode fazer o download do material sobre a Retail Tour Europa aqui.

Ambientação no varejo

A ambientação do espaço físico no varejo tem se tornado um fator cada vez mais importante para atrair os clientes. Segundo Gibotti, muitas redes integram a experiência com o aplicativo, no qual o consumidor utiliza realidade aumentada para fazer alterações e simular como determinados objetos ficariam em suas casas.

O VP de Inteligência e Mercado da Rock Encantech também ressaltou a importância de o ecossistema das lojas ser focado na construção de uma audiência.

“O varejo é um grande atrator de pessoas. Quando a pessoa entra em uma loja, o varejo passa a ter um valor extremamente grande, podendo extrapolar as ofertas. Quando o varejista trabalha de forma consciente o super app, trazendo funcionalidades que resolvem problemas cotidianos desse cliente, e consegue levar esse cliente para a loja física, ele passa a ter uma audiência hiperqualificada. Essa audiência muda o jogo do varejo”, afirmou.

Lições para o varejo brasileiro

Segundo Vienna, a maioria das soluções apresentadas na EuroShop e pelo varejo europeu vai ao encontro da necessidade de solucionar um dos maiores desafios do setor: a escassez de mão de obra.

“Além do autoatendimento, os sensores ajudam a controlar a reposição na gôndola e trazem uma jornada sem fricção para o cliente. A sustentabilidade na Europa também é um tema muito forte, e ela vem sendo utilizada para diminuir os custos de operação em loja. Nós vimos soluções de refrigeração com IA, que passam a ter um papel importante na eficiência energética”, comentou.

Já Gibotti finalizou a conversa destacando a importância de as lojas serem cada vez mais inteligentes e automatizadas.

“A gente precisa sair de lojas bonitas para lojas inteligentes. A inteligência passa por automação e passa por coleta e compreensão de dados, com reorganização em cima do comportamento revelado pelos dados”, completou.

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